Casos Clínicos de NutriçãoPaciente com alto índice de colesterol e gordura visceral
Ana Paula Mendonça de Oliveira perguntou há 2 meses

Paciente sem obesidade e sobrepeso, pós tratamento oncológico ( mama). 
Apresenta auto colesterol e gordura visceral, pratica pilates, e caminhada ( semanalmente), boa conduta alimentar. Não sabe histórico pregresso de família com relação ao colesterol
alguma orientação para compartilhar? 
 

2 Respostas
Raphael Barbosa Anastacio Cândido respondeu há 2 meses

Um plano alimentar para controle de peso, com alimentos imunomodulados. Se você colocar uma faixa de 50% de carboidratos fica legal por ser pós tratamento oncológico de preferência carboidratos complexos, na proteína uns 25% também seria legal para a síntese proteica. Na parte lipídica dá uma atenção as gorduras poli-insaturadas vão ajudar no colesterol e na gordura visceral, se puder incluir oleaginosas também vai ser bom. Pede um exame de transaminases e gama gt, se está com gordura visceral alta pode ter gordura no fígado!  

Especialista em Nutrição Dietbox Staff respondeu há 2 semanas

Olá, Ana Paula. 
A literatura relata que os tratamentos contra o câncer (radioterapia, quimioterapia, homonioterapia e até cirurgias) podem causar alterações nas funções endócrinas e metabólicas em alguns pacientes. A quimioterapia para o tratamento de câncer de mama, por exemplo, pode impactar em um possível aumento do colesterol total, lipoproteína de baixa densidade (LDL), triglicerídeos e gordura corporal em alguns indivíduos, associada à indução de menopausa precoce em algumas pacientes (com queda nos níveis de estrogênio). Contudo, as recomendações para o manejo dessa condição em pacientes oncológicos ou pós tratamento de câncer são as mesmas para a população em geral. 
Além disso, investigar a Hipercolesterolemia Familiar (HF) nessa paciente pode ser interessante. A HF é uma condição genética caracterizada pele elevação do colesterol total e do LDL colesterol. Nessas situações, pode ser necessário o tratamento médico, com administração de estatinas, aliado a mudança de estilo de vida. 
Realizar uma anamnese detalhada, com aprofundamento sobre o histórico familiar e presença de outras doenças cardiovasculares, é uma estratégia para investigar. Vale incentivá-la a conversar com os familiares e coletar as informações se possível.  
Ademais, aplicar ferramentas como o recordatório 24h ou Questionário de Frequência Alimentar é interessante para avaliar com maior precisão a rotina alimentar da paciente, auxiliando na identificação de possíveis pontos de atenção que possam estar contribuindo para as alterações no perfil lipídico.  
A Diretriz Brasileira de Dislipidemia e prevenção da aterosclerose recomenda as seguintes condutas para a terapia nutricional no controle da hipercolesteolemia: 

  • Substituição de ácidos graxos saturados por mono e poli-insaturados; 
  • Exclusão de ácidos graxos trans; 
  • Restrição de açúcar de adição; 
  • Adequação de fibras; 
  • Estímulo a um padrão alimentar baseado numa alimentação saudável. 

Outras recomendações incluem: praticar exercícios físicos regularmente e cessar o uso de tabaco. 
Por fim, vale considerar o encaminhamento para uma avaliação médica mais detalhada, caso ainda não esteja em acompanhamento, para uma investigação complementar. 
 
Referências:  

  1. de Haas EC, Oosting SF, Lefrandt JD, Wolffenbuttel BH, Sleijfer DT, Gietema JA. The metabolic syndrome in cancer survivors. Lancet Oncol. 2010 Feb;11(2):193-203. doi: 10.1016/S1470-2045(09)70287-6. PMID: 20152771.
  2. FALUDI, André Arpad et al. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 109, n. 2, Supl. 1, p. 1-76, ago. 2017.
  3. Vaezi Z, Amini A. Familial Hypercholesterolemia. [Updated 2022 Sep 26]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK556009/