Paciente sem obesidade e sobrepeso, pós tratamento oncológico ( mama).
Apresenta auto colesterol e gordura visceral, pratica pilates, e caminhada ( semanalmente), boa conduta alimentar. Não sabe histórico pregresso de família com relação ao colesterol
alguma orientação para compartilhar?
Um plano alimentar para controle de peso, com alimentos imunomodulados. Se você colocar uma faixa de 50% de carboidratos fica legal por ser pós tratamento oncológico de preferência carboidratos complexos, na proteína uns 25% também seria legal para a síntese proteica. Na parte lipídica dá uma atenção as gorduras poli-insaturadas vão ajudar no colesterol e na gordura visceral, se puder incluir oleaginosas também vai ser bom. Pede um exame de transaminases e gama gt, se está com gordura visceral alta pode ter gordura no fígado!
Olá, Ana Paula.
A literatura relata que os tratamentos contra o câncer (radioterapia, quimioterapia, homonioterapia e até cirurgias) podem causar alterações nas funções endócrinas e metabólicas em alguns pacientes. A quimioterapia para o tratamento de câncer de mama, por exemplo, pode impactar em um possível aumento do colesterol total, lipoproteína de baixa densidade (LDL), triglicerídeos e gordura corporal em alguns indivíduos, associada à indução de menopausa precoce em algumas pacientes (com queda nos níveis de estrogênio). Contudo, as recomendações para o manejo dessa condição em pacientes oncológicos ou pós tratamento de câncer são as mesmas para a população em geral.
Além disso, investigar a Hipercolesterolemia Familiar (HF) nessa paciente pode ser interessante. A HF é uma condição genética caracterizada pele elevação do colesterol total e do LDL colesterol. Nessas situações, pode ser necessário o tratamento médico, com administração de estatinas, aliado a mudança de estilo de vida.
Realizar uma anamnese detalhada, com aprofundamento sobre o histórico familiar e presença de outras doenças cardiovasculares, é uma estratégia para investigar. Vale incentivá-la a conversar com os familiares e coletar as informações se possível.
Ademais, aplicar ferramentas como o recordatório 24h ou Questionário de Frequência Alimentar é interessante para avaliar com maior precisão a rotina alimentar da paciente, auxiliando na identificação de possíveis pontos de atenção que possam estar contribuindo para as alterações no perfil lipídico.
A Diretriz Brasileira de Dislipidemia e prevenção da aterosclerose recomenda as seguintes condutas para a terapia nutricional no controle da hipercolesteolemia:
- Substituição de ácidos graxos saturados por mono e poli-insaturados;
- Exclusão de ácidos graxos trans;
- Restrição de açúcar de adição;
- Adequação de fibras;
- Estímulo a um padrão alimentar baseado numa alimentação saudável.
Outras recomendações incluem: praticar exercícios físicos regularmente e cessar o uso de tabaco.
Por fim, vale considerar o encaminhamento para uma avaliação médica mais detalhada, caso ainda não esteja em acompanhamento, para uma investigação complementar.
Referências:
- de Haas EC, Oosting SF, Lefrandt JD, Wolffenbuttel BH, Sleijfer DT, Gietema JA. The metabolic syndrome in cancer survivors. Lancet Oncol. 2010 Feb;11(2):193-203. doi: 10.1016/S1470-2045(09)70287-6. PMID: 20152771.
- FALUDI, André Arpad et al. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 109, n. 2, Supl. 1, p. 1-76, ago. 2017.
- Vaezi Z, Amini A. Familial Hypercholesterolemia. [Updated 2022 Sep 26]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK556009/