Casos Clínicos de NutriçãoPaciente transplantado
Cássia Danielle Rosa Muller perguntou há 2 meses

Olá, tenho um paciente de 58 anos, 104kg que é transplantado renal a 4 anos. Toma muito medicamentos, incluindo tracrolima, micofenolato, sertralina, predinizona, omeprazol, metformina, AS, ezetimiba, atelonol, doxazosina e prednisona. Está com o peso estagnado desde a primeira consulta (07/01). Trabalhamos a reeducação alimentar, e fiz um plano calculado com 1600kcal, porém ele não esta seguindo, pois acredita ter mais comida do que ele já come.
Ele no geral se alimenta bem, com bastante vegetais, frutas, proteínas magras, e sem farinha branca o carboidrato simples. Só “”erra”” um pouco nos lanches intermediários, que são normalmente sem proteína nenhuma devido a correria. Ele pratica apenas hidroginastica. Alguém poderia me dar uma luz sobre o que fazer? Uma dieta abaixo da TBM talvez?

3 Respostas
Jasmyne Santos de Amorim Bento respondeu há 2 meses

Olá boa noite. Acredito que a quantidade de calorias esteja ok, já que ele é um paciente de idade mais elevada e que já passou por um estresse. As vezes, você pode fazer uma refeição com mais densidade calórica (ex:vitaminas), talvez assim, mascare a quantidade de comida, porém estará ingerindo as calorias necessárias. Seria interessante também a ingestão de suplementos proteicos de alta qualidade. 

Valéria Scapinelli respondeu há 2 meses

A verdade é que as pessoas pensam que o nutri faz milagres, que é apenas ir na consulta, e não seguem as orientações, mas tente reforçar a importância que o mesmo siga o planejamento, com clareza e de uma forma mais simplificada, algumas pessoas tem mais dificuldade para entender o motivo. Como o mesmo possui uma condição de saúde delicada, explicar a importância dele seguir o planejamento, menos comida não significa perder peso, mostre a densidade calórica de alguns rótulos, para que o mesmo compreenda. Faça pequenas metas para que ele comece… por exemplo – 2 vezes na semana consumir o lanche do planejamento – e vai progredindo os dias depois…

Cláudia Melo Cardoso respondeu há 1 mês

Entendo a situação do seu paciente e os desafios que você está enfrentando. Ele apresenta várias variáveis, como a medicação, o transplante renal e o estilo de vida, que devem ser levadas em consideração ao ajustar o plano alimentar. Vamos tentar analisar alguns pontos e oferecer algumas estratégias que podem ajudar:
1. Impacto dos Medicamentos no Peso:

  • Prednisona: Este medicamento pode causar ganho de peso devido ao aumento do apetite, retenção de líquidos e alterações no metabolismo de carboidratos e gorduras.
  • Tacrolimus e Micofenolato: Embora não tão diretamente ligados ao ganho de peso, esses imunossupressores podem afetar o equilíbrio de líquidos e a função renal, o que pode interferir no controle de peso. Além disso, alguns medicamentos podem afetar o metabolismo de lipídios e glicose.
  • Sertralina e outros medicamentos: A sertralina, por exemplo, pode ter um efeito variado sobre o peso. Algumas pessoas experimentam ganho de peso, enquanto outras podem ter perda. O efeito pode ser sutil e depende da resposta individual.

2. Peso Estagnado e Aderência:
Como ele já tem um bom controle da alimentação com vegetais, frutas e proteínas magras, e o problema parece ser mais nos lanches intermediários, isso pode ser uma oportunidade de ajuste. Os lanches são importantes para evitar a queda do metabolismo e melhorar a adesão à dieta, mas quando feitos de maneira inadequada, com muitos carboidratos simples ou sem proteína, eles podem ser um ponto crítico.
3. Ajustes no Plano Alimentar:

  • Reeducação Alimentar e Menos Restrição: Pelo que você mencionou, a percepção dele é de que tem mais comida do que está acostumado. Se ele já está consumindo uma alimentação balanceada e com boa qualidade nutricional, talvez o problema esteja mais na quantidade de calorias consumidas, mas sem perder o foco na qualidade.
  • Consideração da Taxa de Metabolismo Basal (TMB): Se ele está estagnado com 1600 kcal, uma estratégia seria talvez reduzir a ingestão para abaixo da TMB, mas isso depende muito do gasto energético dele. Uma maneira de ajustar seria calcular o gasto energético total (GET) e, se necessário, fazer um pequeno déficit calórico de 10-15% para começar a ver resultados.

Exemplo de ajuste de calorias:

  • Se a TMB dele for de 1900 kcal, por exemplo, você poderia considerar uma ingestão em torno de 1500 kcal, levando em conta a atividade física (hidroginástica). Contudo, é sempre importante monitorar a evolução e ajustar conforme necessário.
  • Atenção aos macronutrientes: Garantir que ele tenha proteínas suficientes nos lanches intermediários e ao longo do dia pode ajudar a evitar a perda muscular e melhorar o metabolismo, já que ele já segue uma alimentação com bons vegetais e proteínas magras.

4. Estratégias de Melhoria na Adesão:

  • Fazer refeições e lanches práticos: Uma sugestão seria oferecer opções de lanches prontos e rápidos, como porções de iogurte grego com frutas, ovos cozidos, ou até mesmo shakes de proteína que ele possa consumir facilmente entre as atividades. A falta de proteína nos lanches pode estar afetando o controle do peso, já que ela ajuda no controle da saciedade e na manutenção muscular.
  • Educação nutricional personalizada: Ele pode estar confundindo a percepção de “muita comida” com uma porção maior de vegetais ou alimentos saudáveis. Explique como a quantidade de calorias não depende apenas da quantidade volumosa dos alimentos, mas sim da qualidade dos ingredientes e do controle das porções.

5. Hidroginástica e Atividade Física:
A hidroginástica é um excelente exercício de baixo impacto, mas, para potencializar os resultados na perda de peso, pode ser interessante tentar integrar um treino de resistência leve, como musculação ou exercícios com elásticos, para aumentar a massa muscular e acelerar o metabolismo. Se a hidroginástica for a única atividade física, isso pode ser um limitador, já que o gasto energético tende a ser menor.
Uma abordagem seria revisar a ingestão calórica dele com base na TMB, considerando uma leve redução nas calorias. Além disso, foco na adesão aos lanches com proteínas e em evitar que ele “pule” refeições intermediárias pode ser uma estratégia importante. Reforçar a importância do equilíbrio entre qualidade nutricional e quantidade é crucial. Além disso, sugerir a inclusão de um treino de resistência para complementar a hidroginástica pode ser um bom ajuste.
Se continuar com dificuldades, talvez seja interessante revisitar a adesão à dieta com mais foco em estratégias motivacionais, como análise de comportamento alimentar e redefinição de metas de curto prazo.